domingo, 29 de novembro de 2015

Nada além da verdade

Eu poderia começar esse texto de varias formas diferentes, com um versículo, com uma citação ou algo do tipo. Muitas vezes tentamos achar as melhores palavras, tentamos achar formas de falar as coisas, de expressar o que sentimos de uma maneira magnífica, de uma maneira poética, romântica mas não achamos esse jeito até que ele simplesmente apareça por si só. Nossas palavras nunca serão belas o suficiente, nunca serão magníficas e encantadoras como queremos que elas sejam e é justamente sobre essa nossa incapacidade que quero escrever. Sobre como tentamos fazer as coisas para Deus, sobre como tentamos fazer as coisas perfeitas, belas, grandiosas, mas pensando com nossas mentes, por nossa maneiras. Quase sempre me pego tentando achar palavras bonitas, escuto as oração de pessoas, orações que nos tocam que nos fazem sentir, que chegam inclusive a nos fazer chorar. Escuto as canções, vejo as declarações de pessoas apaixonadas por Deus, suas palavras são tão puras e belas. 

Todo mundo já passou pela situação de ter que falar algo importante para alguém, seja para um(a) amigo(a), para o namorado(a) ou talvez até um discurso na escola. Em nossas mentes escrevemos cada palavra, repetimos para nós mesmos cada virgula, há aqueles que se olham no espelho e ensaiam cada gesto, cada feição. Em nossas mentes tudo está perfeito as palavras são belas, são emocionantes e tudo essa sob nosso controle. A grande surpresa se dá no momento H. Para onde foi o ensaiado? Cadê aquelas belas palavras? Cadê a situação sob nosso controle? 

Quando isso acontece há dois caminhos e sobre eles que quero escrever algo que refleti por esses dias. (1) Podemos nos bloquear chateados por não conseguimos falar aquilo que queríamos, porque as coisas não saíram do jeito que queríamos ou (2) podemos deixar que as palavras verdadeiras, que aquilo que realmente está dentro de nós saia da forma que sair, não importando o padrão não importando se não são as palavras mais lindas do muito não importando se soará de forma poética, pois elas são tudo aquilo que queríamos falar mesmo que não fique claro antes de nos permitirmos viver assim. O primeiro caminho nos leva para uma vida de frustrações, uma vida de bloqueios e enganos, porque nunca as coisas serão exatamente da forma que pensamos que elas serão. O segundo por sua vez nos leva a viver uma vida verdadeira, cheia de surpresas e frases do tipo, "foi melhor do que eu pensava", "superou minhas expectativas", "eu apenas falei o que sentia".




Muitas vezes em nossa vida com Cristo escolhemos o primeiro caminho, achamos que precisamos orar com palavras bonitas, achamos que precisamos nos achegar a ele com algo em mente, ficamos criando coisas em nossas mentes, tentando achar maneiras de atrair Deus e acabamos não percebendo que isso não nos aproxima nem um pouco. Muitas vezes as palavras bonitas não são aquelas que traduzem o que estamos sentindo, muitas vezes o poético do momento é apenas um sorriso e um grande suspiro. 

O segundo caminho é o da dependência Nele, onde nossos pensamentos já não importam, onde o que achamos ser certo não importa. É o caminho onde as expectativas não são criadas por nós mesmos mas sim por Ele. É o lugar em que encontramos liberdade. Não importa quais palavras usamos ele nos entende mesmo que palavra nenhuma seja dita, pois deixamos que a verdade de nos transborde. É isso que Ele procura, ele quer que nossa verdade transborde. Todas as vezes que você fecha os olhos seu Pai espera que você seja verdadeiro, ele espera que você conte o que está sentindo se forma que seu próprio sentimento fale por si. É ai que ele o abraça e diz que te entende, te ampara e guia. 

Precisamos entender, e me coloco no meio disso, que não importa o que façamos, como façamos, para que façamos Deus não esta preocupado, ele não se importa. Ele apenas se importa, Ele apenas deseja, Ele apenas quer aquele que faz. Não se trata de nossas palavras serem bonitas ou não se trata delas serem a verdade se nossos serem transbordando á ele. Não são nossas obras para mim quem somos. 

- Pietra Carolina'

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