Quase que em consenso se tem o olhar como uma das
coisas mais marcantes em uma pessoa, além de podermos através dele
descobrir, perceber e pensar muitas coisas que um conjunto de coisas
não nos permite. É olhando nos olhos que fazemos uma promessa, é
olhando nos olhos que percebemos se alguém está mentindo ou não, é
olhando nos olhos que percebemos o estado emocional de uma pessoa.
Alguns anos atrás em uma classe de teatro a professora passou um
exercício muito interessante, mandou os alunos, o que me incluía,
tampar o rosto de forma que apenas os olhos pudessem ser vistos, e
cada um tinha que concentrar toda a expressão nos olhos. Se era uma
expressão de alegria devia expressar apenas com os olhas e a regra
se estendia para qualquer sentimento ou expressão. Cada um iria para
o meio da meia lua enquanto o resto adivinhava. Foi difícil no
começo, então a professora pediu para destamparmos as sobrancelhas,
foi aí que a brincadeira começou a ficar mais fácil, mas ainda
havia erros. Quando ela pediu para destamparmos a boca, não podia
mais haver erros, o que devia ser expresso estava claro, foi aí que
ela pediu pra tamparmos os olhos e mesmo assim ficava obvio qual era
o estado emocional, a expressão escolhida pelo aluno da vez.. Ela
pediu então para que com os olhos expressássemos tristeza e
com o resto do rosto alegria. Sabe o que percebemos, por mais que o
sorriso nos enganasse, os olhos, o olhar não permitia que
sentíssemos que de fato aquela pessoa estava alegre. Ela nos disse
que como atores tínhamos que nos preocupar com cada parte de nosso
corpo de forma que todo ele falasse a mesma coisa para que de fato
seja expressado o que deve ser interpretado pelo ator. O olhar era
portanto algo que só, não nos falava nada pois não estamos
acostumados a olhar para as coisas sutis, para os pequenos detalhes,
e são os pequenos detalhes que fazem a diferença, de forma
essencial, para que as grandes coisas tenham sentido.
Saindo Jesus viu um homem chamado Matheus, sentado
na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Matheus se levantou e o
seguiu.
Matheus 9:9
Devo ter lido essa versículo uma dezena de vezes
mais um dia o li e algo me chamou a atenção. Imagina a cena:
Matheus não conhecia Jesus, não sabia quem ele era, talvez tenha
ouvido falar sobre ele, já se circulava coisas a respeito de Jesus.
Mas Matheus não o conhecia, e ele ainda por cima era publicano, os
judeus odiavam publicanos pois eram judeus que cobravam impostos para
a nação dominadora, eram portante traidores do povo. Viaje comigo
um pouco, Matheus estava lá na coletoria sentado colhendo os imposto
como fazia todos os dias, Jesus o vê e diz: Siga-me.
A Bíblia não diz: O chamou pelo nome e
disse siga-me. É importante dizer que essas são especulações
minhas. Imagina a situação comigo, Matheus e Jesus devem ter se
olhado nos olhos de uma forma tão profunda, que Matheus entendeu
tudo, e Jesus apenas disse siga-me e ele se levantou e o seguiu, sem
nada dizer.
Isso me intrigou de tal forma, não conseguia
parar de pensar como foi aquele olhar de Jesus, ele devia levar nos
olhos quem ele era, o filho de Deus. Matheus olhou para Jesus e
sentiu segurança, percebeu quem ele era. O olhar de
Jesus não deixava a desejar, não trazia dúvidas, Matheus
encontrou todas as respostas que precisava apenas no olhar de
Jesus e sua primeira ação foi se levantar e o seguir.
Dentre muitas coisas que esse único versículos
nos fala é sobre o encontro com os olhos de Deus e ser chamado a
seguir ele. Em outras palavras, nos encontramos em Deus sermos
descobertos por ele e ao mesmo tempo nos achar dele, dentro dos seus
olhos. Isso me fez refletir sobre chamado e sobre identidade, com
esse único versículo podemos refletir e entender
muitas coisas sobre ser chamado por Deus e sobre nossa caminhada
com ele.
1. Matheus era publicano, os judeus odiavam
publicamos, eu me arrisco a dizer que eram mais desprezados do
que os samaritanos pois eles eram vistos como traidores ladrões
e oportunistas.
Jesus não estava preocupado com o que as outras
pessoas iam pensar sobre o fato de ele ter um discípulo publicado,
Jesus não estava preocupado com a opinião dos fariseus. Ele estava
cumprindo a vontade do Pai, e dentro do plano de Deus Matheus estava
inserido e a sua vida antes de ter olhado para os olhos de Jesus, não
importava, pois Jesus não o via como um publicano, ele o via como
aquele de fazia parte do propósito de Deus com a humanidade, Jesus
via o que Matheus era para Deus, sobre quem Matheus se tornaria
andando com ele, estando com ele, vivendo com ele. É dessa forma que
Jesus nos olha, ele não nos vê como os outros
enxergam, como vemos a nos mesmo e nem vê o que
fazemos, ele olha quem podemos ser em contato com ele, em
intimidade, ele nos vê como ele nos criou, para o que
ele nos criou antes mesmo de termos nascido.
2. Matheus não questionou a Cristo, não o
encheu de perguntas de sobre como seria se o seguisse, o que
ganharia, pelo que passaria, ele apenas se levantou e o seguiu.
Para seguirmos a Cristo a necessário deixarmos de
lado nossas preocupações e o que entendemos por certo. Apenas
olharmos para os olhos dele e o seguir, sem nos preocuparmos com o
que vem depois, sabendo que estar com ele e o seguir é a única
coisa que deve ser feita.
3. Jesus não precisou convencer Matheus, não
usou chantagens, não o ofereceu coisas, não lhe ofereceu nada em
troca, ele apenas o viu, o olhou e disse: siga-me.
Matheus deve toda a segurança de o seguir, o
olhar de Jesus o fez compreender quem ele era, o fez confiar nele de
forma que nada mais importava apenas o seguir, é nesse ponto que eu
queria chegar, Quando entramos em contato com os olhos de Deus,
quando o vemos nada mais importa, ver a Deus, o olhar nos olhos quer
dizer o conhecer, é ter conhecimento de quem ele é, de sua natureza
e conhecendo a ele acabamos por nos conhecer. Quando olhamos para
Jesus nos olhos entendemos para que nascemos, compreendemos quem
nossos, pois conhecendo a Deus entendemos o que ele pensa sobre nós,
é ai então que ele nos chama. E quando ele nos chama não há
dúvidas pois os seus olhos trazem segurança, mesmo
em meio ao caos, ao improvável e a desesperança, o olhar
dele nos diz que o que precisamos. Ele não precisa
nos convencer, nos oferecer coisas muito menos dos dar algo em troca,
porque a única coisa que realmente importa e estar com ele, para
sempre o olhar, pois o olhar dele, a voz que ouvimos quando ele nos
chamou a segui-lo, nos completa de tal forma que entendemos o porque
de estarmos vivos e isso muda todas as coisas e sem dizer nada apenas
queremos nos levantar e o seguir.
- Pietra Carolina A.D
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