domingo, 19 de julho de 2015

Como ele me olha?


Quase que em consenso se tem o olhar como uma das coisas mais marcantes em uma pessoa, além de podermos através dele descobrir, perceber e pensar muitas coisas que um conjunto de coisas não nos permite. É olhando nos olhos que fazemos uma promessa, é olhando nos olhos que percebemos se alguém está mentindo ou não, é olhando nos olhos que percebemos o estado emocional de uma pessoa. Alguns anos atrás em uma classe de teatro a professora passou um exercício muito interessante, mandou os alunos, o que me incluía, tampar o rosto de forma que apenas os olhos pudessem ser vistos, e cada um tinha que concentrar toda a expressão nos olhos. Se era uma expressão de alegria devia expressar apenas com os olhas e a regra se estendia para qualquer sentimento ou expressão. Cada um iria para o meio da meia lua enquanto o resto adivinhava. Foi difícil no começo, então a professora pediu para destamparmos as sobrancelhas, foi aí que a brincadeira começou a ficar mais fácil, mas ainda havia erros. Quando ela pediu para destamparmos a boca, não podia mais haver erros, o que devia ser expresso estava claro, foi aí que ela pediu pra tamparmos os olhos e mesmo assim ficava obvio qual era o estado emocional, a expressão escolhida pelo aluno da vez.. Ela pediu então para que com os  olhos expressássemos tristeza e com o resto do rosto alegria. Sabe o que percebemos, por mais que o sorriso nos enganasse, os olhos, o olhar não permitia que sentíssemos que de fato aquela pessoa estava alegre. Ela nos disse que como atores tínhamos que nos preocupar com cada parte de nosso corpo de forma que todo ele falasse a mesma coisa para que de fato seja expressado o que deve ser interpretado pelo ator. O olhar era portanto algo que só, não nos falava nada pois não estamos acostumados a olhar para as coisas sutis, para os pequenos detalhes, e são os pequenos detalhes que fazem a diferença, de forma essencial, para que as grandes coisas tenham sentido. 




Saindo Jesus viu um homem chamado Matheus, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Matheus se levantou e o seguiu. 
Matheus 9:9


Devo ter lido essa versículo uma dezena de vezes mais um dia o li e algo me chamou a atenção. Imagina a cena: Matheus não conhecia Jesus, não sabia quem ele era, talvez tenha ouvido falar sobre ele, já se circulava coisas a respeito de Jesus. Mas Matheus não o conhecia, e ele ainda por cima era publicano, os judeus odiavam publicanos pois eram judeus que cobravam impostos para a nação dominadora, eram portante traidores do povo. Viaje comigo um pouco, Matheus estava lá na coletoria sentado colhendo os imposto como fazia todos os dias, Jesus o vê e diz: Siga-me. A Bíblia não diz: O chamou pelo nome e disse  siga-me. É importante dizer que essas são especulações minhas. Imagina a situação comigo, Matheus e Jesus devem ter se olhado nos olhos de uma forma tão profunda, que Matheus entendeu tudo, e Jesus apenas disse siga-me e ele se levantou e o seguiu, sem nada dizer. 
Isso me intrigou de tal forma, não conseguia parar de pensar como foi aquele olhar de Jesus, ele devia levar nos olhos quem ele era, o filho de Deus. Matheus olhou para Jesus e sentiu segurança, percebeu quem ele era. O olhar de Jesus não deixava a desejar, não trazia dúvidas, Matheus encontrou todas as respostas que precisava apenas no olhar de Jesus e sua primeira ação foi se levantar e o seguir. 
Dentre muitas coisas que esse único versículos nos fala é sobre o encontro com os olhos de Deus e ser chamado a seguir ele. Em outras palavras, nos encontramos em Deus sermos descobertos por ele e ao mesmo tempo nos achar dele, dentro dos seus olhos. Isso me fez refletir sobre chamado e sobre identidade, com esse único versículo podemos refletir e entender muitas coisas sobre ser chamado por Deus e sobre nossa caminhada com ele.

1. Matheus era publicano, os judeus odiavam publicamos, eu me arrisco a dizer que eram mais desprezados do que os samaritanos pois eles eram vistos como traidores ladrões e oportunistas. 

Jesus não estava preocupado com o que as outras pessoas iam pensar sobre o fato de ele ter um discípulo publicado, Jesus não estava preocupado com a opinião dos fariseus. Ele estava cumprindo a vontade do Pai, e dentro do plano de Deus Matheus estava inserido e a sua vida antes de ter olhado para os olhos de Jesus, não importava, pois Jesus não o via como um publicano, ele o via como aquele de fazia parte do propósito de Deus com a humanidade, Jesus via o que Matheus era para Deus, sobre quem Matheus se tornaria andando com ele, estando com ele, vivendo com ele. É dessa forma que Jesus nos olha, ele não nos vê como os outros enxergam, como vemos a nos mesmo e nem vê o que fazemos, ele olha quem podemos ser em contato com ele, em intimidade, ele nos vê como ele nos criou, para o que ele nos criou antes mesmo de termos nascido. 

2. Matheus não questionou a Cristo, não o encheu de perguntas de sobre como seria se o seguisse, o que ganharia, pelo que passaria, ele apenas se levantou e o seguiu.

Para seguirmos a Cristo a necessário deixarmos de lado nossas preocupações e o que entendemos por certo. Apenas olharmos para os olhos dele e o seguir, sem nos preocuparmos com o que vem depois, sabendo que estar com ele e o seguir é a única coisa que deve ser feita. 

3. Jesus não precisou convencer Matheus, não usou chantagens, não o ofereceu coisas, não lhe ofereceu nada em troca, ele apenas o viu, o olhou e disse: siga-me. 

Matheus deve toda a segurança de o seguir, o olhar de Jesus o fez compreender quem ele era, o fez confiar nele de forma que nada mais importava apenas o seguir, é nesse ponto que eu queria chegar, Quando entramos em contato com os olhos de Deus, quando o vemos nada mais importa, ver a Deus, o olhar nos olhos quer dizer o conhecer, é ter conhecimento de quem ele é, de sua natureza e conhecendo a ele acabamos por nos conhecer. Quando olhamos para Jesus nos olhos entendemos para que nascemos, compreendemos quem nossos, pois conhecendo a Deus entendemos o que ele pensa sobre nós, é ai então que ele nos chama. E quando ele nos chama não há dúvidas pois os seus olhos trazem segurança, mesmo em meio ao caos, ao improvável e a desesperança, o olhar dele nos diz que o que precisamos. Ele não precisa nos convencer, nos oferecer coisas muito menos dos dar algo em troca, porque a única coisa que realmente importa e estar com ele, para sempre o olhar, pois o olhar dele, a voz que ouvimos quando ele nos chamou a segui-lo, nos completa de tal forma que entendemos o porque de estarmos vivos e isso muda todas as coisas e sem dizer nada apenas queremos nos levantar e o seguir. 


- Pietra Carolina A.D

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